Continuei tomando café, mas minhas mãos estavam levemente trêmulas, então segurei a xícara com mais firmeza, controlando o gesto, mantendo o rosto neutro. Não iria demonstrar nenhuma reação. Não ali. Não na frente deles. Muito menos na frente dele. Afinal, o que eu estava pensando? Victor e eu tínhamos um acordo. Um contrato. Sempre foi isso. Claro, direto, sem espaço pra interpretação. Se, em algum momento, aquilo tinha começado a parecer outra coisa… agora ficava evidente que tinha sido só da minha parte. As noites que ficamos juntos. O jeito que ele me olhava. O carro parado no escuro. Tudo aquilo que, pra mim, tinha ganhado peso… pra ele, não tinha significado nada além do que era conveniente no momento. Levei a xícara até os lábios de novo, mesmo sem realmente sentir o gosto do café, mantendo o movimento automático, controlado, como se tudo estivesse exatamente no lugar. — Bom dia — falei, por fim, como se tivesse acabado de notar a presença deles, o tom estável
Ler mais