Os dias foram passando sem que eu percebesse exatamente quando um terminava e o outro começava. A rotina tomou conta. E, de certa forma… eu deixei. Os pais do Victor voltaram para Goiânia poucos dias depois, e o casarão ficou mais silencioso. Só nós quatro agora — eu, Victor, Lilian e Diego. Menos gente, menos movimento… mas, ainda assim, nada realmente leve. Eu parei de subir para o escritório. Quase sem perceber, fui deixando aquilo de lado. As planilhas. As reuniões. A parte administrativa. Voltei para o campo. Para os animais. Para o que, de fato, fazia sentido pra mim. Vacinas, acompanhamento de ferimentos, diagnósticos, partos difíceis no meio da madrugada… o trabalho físico, direto, cansativo — mas real. Ali, pelo menos, eu não precisava fingir tanto. Não precisava sustentar conversa, nem olhar, nem silêncio. O cansaço ajudava. Muito. Porque, no fim do dia, eu só queria dormir. E era exatamente isso que eu fazia. Quando eu chegava no quarto, Vi
Ler mais