Depois do fim de semana em Campinas, voltei pra São Paulo com a sensação desconfortável de que alguma coisa dentro de mim tinha começado a mudar silenciosamente. As palavras da minha mãe continuaram ecoando na minha cabeça durante dias. “A vida tá passando e você não tá aproveitando.” E talvez o pior fosse perceber que ela tinha razão. Porque, quando voltei pra rotina da clínica, tudo pareceu ainda mais pesado do que antes. Os plantões continuavam absurdos, os casos nunca diminuíam, as noites mal dormidas começaram a virar regra, e meu corpo parecia funcionar o tempo inteiro no limite da própria exaustão. Eu chegava em casa destruída. Dormia horas demais quando conseguia folga. Ou então não conseguia dormir direito. Minha alimentação virou qualquer coisa rápida entre um atendimento e outro, café substituindo refeição de novo, e em algum momento comecei a perceber que até meu humor tinha mudado. Eu estava irritada. Cansada. Sem paciência. Sem energia pra absolutamente nada
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