A volta até o casarão foi silenciosa demais. A chuva tinha diminuído bastante, mas a estrada de terra ainda estava completamente molhada, cheia de lama em alguns trechos, e Victor dirigia devagar enquanto eu permanecia olhando pela janela, evitando qualquer conversa mais longa. O clima entre nós tinha mudado outra vez. A intensidade da noite anterior ainda estava ali, quase palpável dentro da caminhonete, mas agora misturada com aquela tensão emocional estranha que sempre aparecia quando a realidade começava a voltar. E talvez por isso eu estivesse mais fechada novamente. Mais distante. Victor percebeu. Claro que percebeu. Mas, dessa vez, não insistiu muito. Quando o casarão apareceu ao longe entre a garoa fina da manhã, meu peito apertou automaticamente. Porque entrar naquela casa depois da noite anterior parecia ainda mais complicado agora. Victor estacionou na frente da varanda principal e desligou o carro sem dizer nada. Descemos em silêncio e subimos os degr
Ler mais