Adrian HarperA luz da televisão do quiosque pisca, iluminando fragmentos do passado na tela. Uma reportagem sobre um acidente ferroviário em Yorkshire, Inglaterra. O mundo para. O som se torna um zumbido distante e, de repente, é como se uma comporta, enferrujada e teimosa, se rompesse dentro de mim.A dor não vem como um tsunami, mas como uma maré que recua, revelando o que estava submerso: Amélia.Lembro do seu perfume de jasmim, da textura do seu vestido de seda sob meus dedos no dia do nosso casamento, do vazio silencioso e gelado que se instalou no meu peito quando ela partiu. A dor era uma criatura viva, então, um parasita que sussurrava que eu deveria tê-la seguido, que a vida sem ela era um insulto à nossa história.Mas agora, enquanto a memória dela dança na penumbra, o que sinto é diferente. É uma saudade suave, uma gratidão amarga, uma lembrança que dói, sim, mas que não me paralisa mais. É como olhar para uma fotografia muito amada: você sente a falta do momento, mas sabe
Ler mais