JULIAN BLACKWOOD O quarto de hotel em Londres era frio, apesar do aquecimento central. Eu estava sentado na poltrona, com um copo de uísque intocado na mão, olhando para a chuva batendo no vidro. A Chloe dormia na cama king-size, mas o silêncio dela me incomodava mais do que o barulho da cidade lá fora. Eu estava exausto. Exausto de fingir que essa vida de luxo e "liberdade" era o que eu queria. Meu celular, jogado em cima do criado-mudo, vibrou. Uma, duas, três vezes. O visor brilhou com o nome que eu não esperava ver àquela hora: Marcos (Segurança Mansão). Atendi no segundo toque, sentindo um nó imediato no estômago. — Fala, Marcos. O que aconteceu? — minha voz saiu rouca, carregada de um pressentimento ruim. — Senhor Julian... a bolsa da dona Elena estourou. Ela está em trabalho de parto, mas... ela se recusa a ir para o hospital. Senti meu coração dar um solavanco, como se tivesse levado um choque elétrico. Levantei da poltrona num pulo, derrubando o copo de uísque no tapet
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