Elena dormiu antes de conseguir fingir que ainda tinha forças.Percebi pela respiração. Primeiro, ela tentou resistir, inquieta contra o travesseiro, como se até dormir fosse uma derrota que não queria me entregar. Depois, o corpo cedeu. A respiração ficou lenta, profunda, e a mão dela relaxou sobre o lençol.Fiquei parado ao lado da cama, olhando.Eu não fazia esse tipo de coisa. Não ficava no escuro observando uma mulher dormir, com a cabeça fodida, tentando entender em que momento uma noite tinha deixado de ser apenas uma noite.Mas ali estava eu.De moletom, sem camisa, no meio da suíte escura, com Manhattan acesa do outro lado do vidro e Elena na minha cama, usando meu roupão como se aquilo não mexesse com a parte mais primitiva de mim.Mexia.Porra, mexia.O cabelo úmido dela estava espalhado pelo travesseiro. A boca entreaberta. O rosto mais calmo do que eu tinha visto desde que ela acordara assustada horas antes.Puxei a coberta até seus ombros, e Elena se mexeu de leve, murmu
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