Capítulo 46: Castelo de CartasRafaelO silêncio da suíte principal na Toscana deveria ser relaxante, mas, para mim, ele soava como o tique-taque de uma bomba relógio. Laura dormia serenamente ao meu lado, um braço jogado sobre o travesseiro e os cabelos espalhados como seda escura pelo lençol. Ela parecia tão em paz, tão alheia ao abismo que acabara de se abrir sob os nossos pés, que senti um aperto lancinante no peito.Fiquei observando-a por um longo tempo, a respiração rítmica dela sendo a única coisa que me mantinha ancorado à sanidade. Minha mente, no entanto, não parava. Os gritos de Enzo ainda ecoavam nos meus ouvidos, misturando-se à voz fria de Sterling no telefone.Enzo nunca teve pesadelos assim... ou será que fui eu quem nunca vi?, perguntei-me, e a pontada de culpa foi quase insuportável.Durante anos, eu me orgulhei de ser o provedor, o homem que construiu um império para garantir que meu filho nunca soubesse o que era dificuldade. Mas, nesta noite, percebi que eu era u
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