Capítulo 147: O Ninho das CobrasRafael MonteiroMeus olhos abriram com dificuldade, pesados como se houvesse chumbo sob as pálpebras. A luz do quarto estava difusa, criando sombras que dançavam nas paredes. Eu tentei focar. O rosto à minha frente estava embaçado, mas os cabelos... eram castanhos, familiares, brilhando suavemente.— Laura? — sussurrei. Minha voz parecia vir de outro lugar, distante e arrastada.— Oi, meu amor... — ela respondeu.Um pequeno sorriso surgiu em meus lábios. Eu adorava quando ela falava em português comigo, aquele sotaque doce que sempre me desarmava.— Eu... eu estou confuso. Não lembro do que aconteceu — murmurei, sentindo a mente flutuar.Ela pegou minha mão e a beijou. Por uma fração de segundo, uma imagem nítida atravessou o nevoeiro da minha mente: eu estava amarrado, gritando, lutando contra algemas metálicas. Mas agora, sentindo o toque macio e vendo que minhas mãos estavam livres, concluí que tinha sido apenas um pesadelo.Ela se inclinou e beijou
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