NICKO corredor do segundo andar permanece mergulhado em penumbra suave, iluminado apenas pelas luminárias embutidas junto ao rodapé de madeira escura, luz âmbar que desliza ao longo do piso polido e acompanha cada passo até a porta do meu quarto. A casa inteira descansa sob uma quietude densa, típica das madrugadas em propriedades afastadas da cidade, quando até o vento parece circular com cuidado entre as árvores do jardim. Do lado de fora, os refletores discretos espalhados pelo gramado desenham manchas douradas sobre os canteiros, revelando o contorno das roseiras, o brilho prateado da fonte central e o balanço lento das folhas altas que cercam a propriedade. A porta do quarto se abre com um movimento firme da minha mão, a dobradiça desliza em absoluto silêncio, e ela entra primeiro, passos leves sobre o tapete persa que ocupa boa parte do piso.O quarto mantém a mesma atmosfera que carrego comigo em quase todos os lugares que frequento: ordem, linhas limpas, poucos objetos escolh
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