NICKA manhã avançou sem pressa, mas não com neutralidade, e a casa, com toda a sua arquitetura precisa, seus planos de vidro, pedra e madeira clara, parecia ter passado a responder a um outro centro de gravidade que já não era apenas o meu. Eu sempre gostei de espaços que funcionassem sem ruído, lugares em que cada detalhe estivesse onde deveria estar, em que a luz batesse nos ângulos corretos e os objetos não precisassem disputar atenção entre si, e aquela casa tinha sido construída exatamente para isso, para obedecer a uma lógica de controle absoluto, com pé-direito alto, corredores amplos, superfícies contínuas e uma fachada que mais parecia uma declaração de poder do que uma residência. Naquele dia, porém, havia uma diferença perceptível, algo que não vinha da estrutura, nem do paisagismo impecável visto além das paredes de vidro, nem do silêncio eficiente da equipe circulando com discrição, vinha dela, da forma como Katherine já se movia ali dentro sem pedir licença ao espaço, e
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