A voz de Ambrósio parecia reverberar nas paredes de vidro da floricultura, abafando o som da chuva que voltava a fustigar o telhado. Juliette sentia-se pequena sob aquele olhar azul que a despia de qualquer pretensão de inocência. Ela apertou a sacola de papel contra o corpo, sentindo o couro da jaqueta dele através do embrulho, um peso que denunciava seu pecado.— Eu... eu decidi que precisava de uma ocupação, Sr. Carter — ela respondeu, tentando manter a voz firme, embora o "Sr. Carter" soasse como uma mentira deslavada depois do que haviam compartilhado no Pub. — Morvath é uma cidade que exige que a gente tenha raízes, não acha?Ambrósio deu um passo à frente. O espaço entre eles diminuiu tanto que ela podia sentir o calor que emanava do peito dele, um calor que parecia desafiar o clima gélido da estufa. Dona Ary, percebendo a voltagem elétrica que carregava o ar, murmurou algo sobre buscar os lírios brancos nos fundos e desapareceu, deixando os dois em um isolamento perigoso.— Ra
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