João desapareceu atrás da porta do escritório com o telefone ainda na mão. A voz dele começou baixa, controlada, do outro lado da parede. Eu não conseguia entender as palavras, mas reconhecia o tom. Era o mesmo que ele usava quando as coisas estavam saindo do controle. Minha mãe foi atrás dele alguns segundos depois, e de repente… Eu fiquei sozinha na sala. O silêncio voltou, pesado, desconfortável. Olhei novamente para a mesa, o envelope ainda estava lá. Parecia uma mensagem de guerra. Senti um arrepio subir pela minha coluna. Talvez João estivesse certo, talvez Victor realmente estivesse em perigo, ou talvez… Eu já não soubesse mais quem era o inimigo. Levei a mão até a barriga instintivamente. — Está tudo bem… — murmurei. Mas meu próprio corpo parecia não acreditar nisso. Minha respiração estava irregular. O cansaço começou a pesar, o choque do atentado, a discussão, o medo, tudo parecia estar cobrando o preço ao mesmo tempo. Me levantei devagar, talvez eu só precisasse
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