O eco dos passos de Lorenzo desaparecendo pelo corredor da biblioteca me deu o respiro que meu corpo desesperadamente pedia. Olhei para a janela, onde o novo segurança particular mantinha a vigília impecável no jardim. Ele era a sombra do Don, mas a governanta, Dona Maria, era a alma silenciosa daquela casa. E era nela que eu precisava confiar.Com os pés trêmulos e a náusea matinal ainda rondando o meu peito, fui até a cozinha de serviço. Dona Maria estava cortando legumes em silêncio. Quando se virou e me viu parada na porta, com o rosto pálido e a mão repousada na barriga, a mulher de cabelos grisalhos e olhos sábios não precisou de uma única palavra para entender. Ela já tinha visto dezenas de mulheres da sub-máfia carregarem o peso do mundo no ventre.— A senhora precisa de um médico de confiança, não é, minha filha? — ela perguntou, a voz mansa, abaixando a faca de cozinha. — Um que não responda ao Franco. Nem ao Don.— Por favor, Maria... — sussurrei, sentindo uma lágrima fria
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