A luz do amanhecer invadiu a suíte master do Joá, mas não trouxera calor. A chave girou na fechadura pelo lado de fora com o mesmo som seco e definitivo da noite anterior. Eu já estava acordada, sentada na borda da cama, vestindo uma camisola simples e com as mãos repousadas sobre a barriga.A porta se abriu e Lorenzo entrou.Ele não usava o terno de Don, nem a postura descontrolada do cais. Vestia uma calça escura e uma camisa preta de mangas dobradas, mas os seus olhos cinzentos continuavam dois blocos de gelo. O olhar dele desceu direto para a minha cintura antes de voltar para o meu rosto. A mágoa por ter sido enganado e manipulado ainda queimava sob a pele dele, erguendo um muro invisível, mas denso, entre nós dois.— O médico está no consultório do andar de baixo — ele disse, a voz num tom baixo, controlado e distante. — Vista algo confortável. Nó
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