HELENA O sol mal tinha nascido quando Laura terminou de fechar a mala. O quarto, que antes transbordava a dor de três meses de isolamento, agora parecia apenas vazio.— Você tem certeza disso? — perguntei, encostada no batente da porta, observando-a conferir os documentos. — O Coringa está surtando lá embaixo.— Eu preciso, Helena. — Laura se virou, e pela primeira vez em muito tempo, não vi lágrimas, mas uma determinação cansada. — Toda vez que eu ando por esses corredores, eu ouço o eco do que perdi. Toda vez que olho para o TH, eu sinto que estou sufocando. Eu preciso descobrir quem é a Laura sem o luto, sem o medo e... sem ele.Eu a abracei forte. Sabia que, no fundo, ela tinha razão. Algumas curas não acontecem no lugar onde a ferida foi aberta.CORINGA Eu andava de um lado para o outro na sala, a raiva competindo com a angústia. meu pai estava sentado na poltrona, fumando seu baseado em silêncio, observando minha impaciência.— Você vai deixar ela ir? Assim? — perguntei, paran
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