O sol despontava no horizonte como uma ferida aberta, tingindo o céu de Porto Empedocle com um rosa doentio. O jipe freou bruscamente diante do portão principal, levantando uma nuvem de poeira e salitre. Eu desci antes mesmo que o motor parasse, meus pés atingindo o solo com uma firmeza que eu nunca soubera que possuía. Eu era uma visão de pesadelo. Meu casaco de lã clara estava arruinado, ensopado por um vermelho escuro e viscoso que já começava a secar. O sangue de Salve manchava meu rosto, pescoço e se escondia sob minhas unhas como uma tatuagem de culpa. Eu caminhava com uma rigidez sobrenatural, a adaga de prata de minha mãe brilhando ostensivamente no cinto. Nicolas estava parado no centro do pátio, uma estátua de gelo sob a luz da manhã. Quando seus olhos encontraram os meus, vi o General vacilar por um segundo antes da fúria assumir o controle. Ele avançou, e os soldados ao redor recuaram, temendo a explosão iminente. Sem dizer uma palavra, ele me agarrou pelo braço. Seus
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