O retorno para a cela foi como ser devolvida para o túmulo depois de um breve passeio pelo paraíso. Nicolas me carregou, já que minhas pernas ainda pareciam feitas de gelatina, e me depositou na cama de ferro. O quarto dele, com o calor da lareira e o cheiro de madeira, parecia agora uma miragem distante.Mas, antes de sair e me deixar à mercê do frio úmido das paredes, ele hesitou. Ele carregava um fardo de tecidos pesados nos braços.— Aqui — ele disse, jogando os tecidos sobre as minhas pernas. — São lençóis de algodão grosso e uma manta de lã. Não quero que a febre volte e eu tenha que perder mais uma noite de sono cuidando de você.Eu toquei o tecido. Era macio. Tinha o cheiro dele — aquele mistério de hortelã e algo mais profundo, algo que cheirava a liberdade. Por um segundo, o ódio que eu alimentava como um animal de estimação pareceu cansado.
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