O som da chave girando na porta da cela não era mais um aviso de comida; era o prenúncio de uma tempestade. Quando Nicolas entrou, ele não trazia uma bandeja. Ele trazia uma aura de urgência que fazia os pelos do meu braço se arrepiarem. Seus olhos vasculhavam o quarto como se estivesse procurando por fantasmas, e a cicatriz no seu rosto parecia latejar sob a luz pálida da lua. — Saia da cama, Cassandra. Agora — ele disse, a voz baixa, vibrando com uma tensão que ele tentava, sem sucesso, esconder. Eu não me mexi. Continuei sentada, envolta na minha manta de lã, encarando-o com todo o veneno que eu vinha destilando há meses. — O que foi agora, Nicolas? — perguntei, minha voz saindo como um chicote. — O Donato cansou de esperar e mandou você me levar para o abate? Ou você veio ver se sobrou algum pedaço de
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