O consultório do Dr. Aris estava imerso em uma penumbra técnica, iluminada apenas pelo brilho azulado da tela do ultrassom. O som rítmico, como o galope de um pequeno cavalo selvagem, preenchia cada canto da sala, ecoando contra as paredes frias. Para Hunter, aquele som era mais alto que o rugido de um estádio lotado; era o som da sua própria redenção. Ele estava estático ao lado da maca. Os grandes ombros, que costumavam carregar o peso de um time e de um império, pareciam tensos, quase encolhidos diante da tela. Ele não conseguia desviar os olhos daquela mancha acinzentada que pulsava com tanta vida, um pequeno ponto de luz no meio do vazio que ele carregava no peito. — É tão... pequeno — Hunter sussurrou, a voz rouca, quase sumindo. Ele estendeu a mão hesitante, tocando a borda lateral da tela com uma reverência quase religiosa, como se temesse que, ao tocar com força, o milagre pudesse desaparecer. — Eu nunca... eu nu
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