ARES BECKETTNo relógio passava um pouco das duas da tarde quando empurrei as portas da sala de estar, vestindo a minha melhor e mais cínica expressão de marido inocente que foi liberado mais cedo do trabalho. — Oh... — comentei, fingindo surpresa enquanto ajeitava a gravata. — Que surpresa. Eu não fazia ideia de que ainda tínhamos visita. Meus olhos varreram a sala em três segundos. Primeiro, avaliei a mulher sentada ao lado da minha esposa. Baixa, cabelos escuros, roupas informais. Nível de ameaça física: zero. Depois, meus olhos caíram nas taças. E na garrafa sobre a mesa de centro.O meu querido vinho francês. Engoli seco, forçando um sorriso gentil. Se Rubi quiser lavar o chão com aquele vinho, ela pode. Respire, Ares. — Ares, essa é a minha amiga, Valentina — Rubi nos apresentou, um pouco corada pelo álcool. — Tina, este é o meu... bem, você sabe. Caminhei até elas, exalando hospitalidade. — É um prazer, Valentina. Fico feliz que minha esposa finalmente tenha trazido uma
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