O quarto estava às escuras quando a porta se fechou.Não porque quisessem se esconder, mas porque a noite oferecia o único espaço onde o mundo não exigia explicações imediatas. O barulho distante da cidade atravessava as paredes como um lembrete constante de que nada ali era realmente seguro.Lívia encostou a testa na porta por um instante, os olhos fechados, respirando fundo.— Estamos sendo observados — disse, sem dramatizar.— Eu sei — Dante respondeu, atrás dela. — Mas não aqui. Não agora.Ela virou-se lentamente.O olhar entre os dois não tinha urgência juvenil. Tinha gravidade. A consciência plena de que qualquer gesto, a partir dali, era escolha — não impulso.— Se isso for longe demais… — Lívia começou.— A gente para — Dante respondeu, antes que ela terminasse. — Não existe prova de nada aqui.Ela assentiu.Mesmo assim, deu um passo à frente.O toque veio primeiro nos braços. As mãos dele firmes, quentes, subindo devagar, como se mapeassem não só o corpo, mas os limites invis
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