A reparação não começou com dinheiro.Começou com escuta.Na manhã seguinte às primeiras prisões e sanções, Lívia recebeu um documento preliminar — poucas páginas, linguagem técnica, termos cautelosos. Não era sentença. Não era acordo.Era algo inédito:“Proposta inicial de mecanismo internacional de reconhecimento e reparação.”Ela leu em silêncio, sentada à mesa, sentindo o peso real de cada palavra.— Eles não estão chamando de indenização — observou.— Porque ainda não sabem o tamanho do dano — Dante respondeu. — Estão começando do único lugar possível: admitir que houve vítimas.Lívia assentiu.Durante décadas, aquelas pessoas tinham sido tratadas como ruído estatístico. Agora, pela primeira vez, um documento oficial usava a palavra reparação sem aspas.À tarde, a primeira reunião aconteceu.Não em uma sala elegante.Não em um prédio governamental.Em um espaço neutro, híbrido — representantes institucionais de um lado, vítimas do outro, separados apenas por uma mesa simples.Lív
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