ElizabethEcos do CotidianoA sexta-feira começou como quase todas as outras, mas com um peso diferente no ar. Cheguei à clínica alguns minutos antes do horário, como sempre. Gosto desse breve silêncio antes do dia começar de verdade. O corredor ainda vazio, o cheiro de limpeza recente misturado aos óleos essenciais, a luz suave entrando pelas janelas altas. Pendurei a bolsa no armário, vesti o jaleco branco e respirei fundo.— Bom dia, Liz — disse a recepcionista, sorrindo.— Bom dia — respondi, devolvendo o sorriso, mesmo sentindo o peito levemente apertado.O primeiro atendimento foi de massoterapia. Uma senhora de meia-idade, ombros rígidos, carregando o corpo como quem carrega o mundo. Enquanto minhas mãos trabalhavam, ela falou do neto, da solidão, do medo de envelhecer. Eu ouvia, como sempre, com atenção inteira. É curioso como as pessoas relaxam não só o corpo, mas também a alma quando se sentem seguras.— Você tem mãos abençoadas, minha filha — ela disse no final.— Obrigada.
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