Andryel Ciúme é um bicho estranho. Eu já tinha sentido incômodo antes, em coisa boba, mas naquele dia ele apareceu de um jeito que eu não estava esperando.No meio da loja, em horário de pico, com gente entrando e saindo, música ambiente tocando baixo, vitrine brilhando. Eu estava passando pela área da frente pra falar com a gerente quando vi.Um cliente jovem, bem arrumado, encostado no balcão. Hadassah do lado de dentro, rindo de alguma coisa que ele tinha acabado de dizer.Não era riso educado.Era riso de verdade.Daqueles que fazem o olho apertar e a mão bater de leve na madeira.Eu conheço.Já vi aquele riso voltado pra mim, numa hamburgueria de bairro, num metrô balançando, na calçada da empresa.Ver ela ali, na frente de outro cara, mesmo que fosse cliente, acionou um botão torto dentro de mim. O cliente apontava pra uma peça, fazia um comentário qualquer.Ela respondia, descontraída, profissional, mas solta. De longe, eu sabia que era bobagem. Era trabalho. Fazia parte do j
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