Lian Bianchi O escritório da cobertura estava imerso em uma penumbra suave, cortada apenas pela luz azulada dos monitores, mas eu não conseguia ler uma única linha sequer dos relatórios de risco à minha frente. A conversa com meu pai ainda ecoava como um zumbido incômodo, mas não pela irritação que Vittorio me causava, e sim por uma palavra específica que ele usou: "Capricho".Para ele, Júlia era um acessório temporário. Para o mundo, ela era a mulher que vivia na minha casa. E, de repente, um estalo seco ocorreu na minha mente, algo que feriu meu brio de homem controlador e estrategista.Olhei através do vidro para a sala de estar. Júlia estava lá, distraída, lendo um livro que ela pediu on-line. Como eu, Lian Bianchi, o homem que antecipa crises antes que elas nasçam, que planeja cada movimento com três jogadas de antecedência, deixei o tempo passar dessa forma? Ela morava comigo, carregava meus dois filhos, ocupava cada pensamento meu e era o eixo central da minha existência. Mas,
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