Lian Bianchi O apartamento, que antes era um monumento ao minimalismo frio e ao silêncio corporativo, parecia ter ganhado uma alma. A luz do crepúsculo entrava pelas imensas janelas de vidro, banhando a sala em tons de âmbar e ouro. Júlia estava recostada no sofá, com as pernas esticadas sobre uma manta de cashmere, vestindo um vestido de renda solto que desenhava a curva sagrada do seu ventre. Seus cabelos, livres das presilhas que ela colocava no hospital, caíam em ondas pelos ombros, e ela tinha aquele sorriso faceiro, quase travesso, que eu achei que tinha se perdido nos corredores sombrios daquele hospital.Júlia foi guerreira, ela não reclamou nenhum momento no hospital, mas eu sabia que ela estava cansada daquele ambiente de supervisão constante.Eu a observava como quem contempla uma obra de arte que ganhou vida. Eu estava doido para, no mínimo, sentir o gosto do seu beijo, para selar aquele novo capítulo e esquecer que o mundo lá fora existia. Acabei me aproximando, o braço
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