Júlia Cavalcante O som da porta batendo contra a parede ainda ecoava nos meus ouvidos, um estrondo que parecia ter rachado o pouco de paz que eu levei meses para construir. Lian estava ali, dentro do meu refúgio, ocupando todo o espaço com a sua presença magnética e destrutiva. O cheiro dele, aquele perfume amadeirado que eu costumava buscar nos meus lençóis nas noites de insônia agora me sufocava.Eu vi a dor em seus olhos, me senti culpada por não ter sido honesta. O grande Lian Bianchi, o homem que fazia o mercado financeiro tremer, estava ali, diante de mim, com as mãos trêmulas alcançando o meu ventre. Por um segundo, um segundo de fraqueza absoluta, eu quis enterrar meus dedos nos cabelos dele e dizer que tudo ficaria bem. Mas a dor no meu pé da barriga, aquela fisgada aguda que me lembrava da fragilidade da minha condição, me trouxe de volta à realidade.— Saia, Lian — minha voz saiu fria, uma lâmina de gelo que pareceu o corta no meio.— Júlia, por favor... — ele murmurou, os
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