POV Emília A mansão Quinn respirava uma calmaria pesada, quase sólida, como o ar de uma cripta recém-aberta. O anúncio oficial do noivado, jogado como carne fresca aos abutres da imprensa de Dublin, havia transformado a propriedade em uma fortaleza de luxo. Para o mundo, éramos o escândalo corporativo e moral do ano; para nós, éramos apenas dois condenados erguendo uma ratoeira de ouro. A chuva de Galway batia contra as vidraças góticas do quarto principal, criando uma melancolia cinzenta que emoldurava o dia. O luto por Santiago ainda estava fresco, uma ferida aberta e purulenta na minha alma. Eu sentia o gosto do sal das minhas próprias lágrimas no fundo da garganta toda vez que engolia em seco. A culpa por tê-lo deixado morrer no asfalto de Ezeiza me asfixiava, mas a esmeralda de Declan no meu dedo esquerdo lembrava-me, a cada segundo, que eu agora pertencia ao inferno. O barulho suave de passos e o tilintar de cabides de metal anunciaram a chegada da corte fúnebre. Madame Va
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