O trabalho que cala o coração, até a noite cobrar.O deserto não permitia distração. Ele era vasto demais para qualquer mentira de controle. A areia se movia com o vento, o sol mudava a cor do chão como se o mundo estivesse sempre recomeçando, e ainda assim havia uma certeza teimosa ali, fincada em estacas, em marcações de tinta, em linhas brancas que cortavam o nada com a arrogância dos projetos humanos.Caetano caminhava pelo canteiro como se pisasse numa sala de reuniões. A postura era a mesma, a expressão não pedia aprovação, e o corpo, mesmo carregando as memórias das costelas quebradas, obedecia ao ritmo do trabalho. Ele não estava ali para ser recebido. Estava ali para mandar a cidade nascer.O som das máquinas era contínuo. Escavadeiras abrindo valas, caminhões descarregando tubos, geradores mantendo a tenda climatizada viva no meio de um inferno de calor. Engenheiros locais, técnicos brasileiros, supervisores estrangeiros, todos olhando para ele com aquele tipo de atenção q
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