AlexO relógio de parede no hall da cobertura marcava as dezoito horas, o som do tic-tac ecoando como uma contagem regressiva para o silêncio que Alex Albuquerque tanto prezava — ou que, pelo menos, fingia prezar. Ele observava da varanda enquanto o carro de Marco se afastava, levando Clara de volta para a sua "vida normal" na prefeitura.Alex serviu-se de um uísque puro, o gelo estalando contra o cristal, um som que parecia descrever exatamente o estado de seu peito.— Eficiência — ele sussurrou para o vazio da sala. — O contrato está sendo cumprido com eficiência.Mas a mentira deixava um gosto amargo na boca. O afastamento que ele mesmo impusera, aquela barreira de "apenas finais de semana", estava começando a parecer menos uma estratégia de controle e mais uma forma de autoflagelo. Ele sentia a falta da resistência dela nos corredores, da forma como ela desafiava sua autoridade apenas com um erguer de sobrancelhas e, principalmente, da entrega absoluta que ela demonstrava sob seu c
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