Lilly acordou antes do sol naquela manhã.O corpo ainda pesava, implorando por mais duas horas, mas a mente já estava em outro lugar, acelerada, decidida. Ela se levantou devagar, os pés descalços tocando o chão frio, e atravessou o corredor tentando não acordar ninguém. Quando empurrou a porta do banheiro, deu de cara com Otávio de costas para ela, concentrado no nó da gravata azul-marinho diante do espelho.— Acordou cedo — ele disse, sem virar o rosto, só erguendo os olhos para encontrá-la no reflexo.— Tenho coisas pra resolver — Lilly respondeu, já abrindo o armário de remédios como se fosse rotina.Otávio terminou o nó com um puxão preciso e virou-se devagar.— Coisas… tipo o quê? — A curiosidade veio leve, mas insistente.Ela hesitou meio segundo a mais do que pretendia.— Coisas minhas. Algum problema?Ele inclinou a cabeça, avaliando-a.— Tá estranha hoje.— Não tô estranha. Só levantei cedo, nada demais. — Ela fechou o armário com mais força do que precisava. — Você não sai
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