Mais tarde, quando tudo já tinha se acalmado e o susto se transformado em algo que ainda precisava ser assimilado, a casa voltou ao que sempre foi: cheia, viva, barulhenta, com vozes se cruzando em diferentes direções e pequenos passos ecoando pelos corredores. Mas, naquela noite, havia algo diferente no ar, uma espécie de silêncio interno que não vinha da ausência de som, e sim da consciência de que, mais uma vez, a vida tinha decidido surpreendê-los. Ana estava sentada na cama, já trocada, o corpo ainda carregando um leve cansaço, mas com o olhar distante de quem organizava pensamentos que não cabiam em palavras imediatas. A mão repousava de forma quase automática sobre o próprio ventre, como se aquele gesto já fosse instintivo, mesmo antes de qualquer confirmação definitiva. Ela soltou um pequeno riso, baixo, quase incrédulo, como quem reconhece algo que não estava nos planos, mas que, de alguma forma, fazia sentido. — A gente perdeu completamente o controle… A frase saiu suave,
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