Fui acordada com o zumbido irritante, como uma vespa gigante tentando atravessar o vidro blindado da varanda.Abro os olhos, sentindo o peso da exaustão e da barriga. A cama da suíte master é imensa, fria, e cheira a ele — sândalo e aquele aroma limpo de homem que não precisa de perfume para marcar território.Levanto, puxando o robe de seda. Caminho até a janela. A luz da manhã tenta entrar pela fresta da cortina blackout. Puxo o tecido.Um drone.Pairando a três metros do vidro, a lente da câmera girando, focando, invadindo. A luz vermelha de gravação pisca, ritmada, invasiva. Sabendo exatamente onde estou.Lá embaixo, a entrada do prédio é um tapete de guarda-chuvas e vans de transmissão.— Não se mostre.A voz vem da porta. Grave. Imperativa. Não me viro a tempo.Sinto o calor dele nas minhas costas antes mesmo do toque. A mão grande de Augusto cobre a minha no tecido da cortina e puxa, fechando o mundo lá fora com um movimento brusco. A penumbra volta.Ele está parado atrás de mi
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