Isadora Galarza O cheiro de Marselha sempre me pareceu uma mistura de salitre, peixe fresco e óleo diesel. Mas, naquela noite, o ar estava saturado com algo muito mais familiar: o odor metálico do sangue e o ozônio das granadas de luz. — Vicente, organizemos homens. Agora! — disse, nervosa, andando de um lado a outro em minha sala, — Nada pode dar errado hoje. Eu estava indo ao porto para uma negociação estratégica. Uma carga nova, de uma rota que consolidaria os Los Sombras como os únicos senhores do Mediterrâneo. Há três anos, assumi as rédeas desse monstro que meu pai chamava de império. E, nesse tempo, levei o cartel a lugares que aquele idiota do Santiago nunca ousou imaginar. Eu não herdei o trono; eu o tomei, limpei as cinzas e reconstruí cada pilar com a minha própria determinação. Os homens do cartel local, os Marselheses, sorriam enquanto mostravam os contêineres. Mas logo percebi que havia algo errado. O comportamento deles estava estranho, tenso demais. E
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