A Mansão de Constantino não era ostensiva nem chamativa.Não havia portões monumentais, nem ostentação explícita, nem o tipo de arquitetura que implora para ser Instagramável. Ela se escondia atrás de um muro alto, contínuo, de linhas limpas, interrompido apenas por um portão de metal escuro eletrônico, onde um guarda que ficava numa guarita vigiava, a entrada ,que se abria em silêncio absoluto, sequer rangia, não chamava atenção. Poder de verdade não faz barulho.O bairro era um enclave discreto, desses que não aparecem em reportagens imobiliárias porque não precisam. Ruas largas, árvores antigas, iluminação baixa. Casas afastadas umas das outras, como se cada uma tivesse negociado previamente o direito ao silêncio. Ali, ninguém observava a vida alheia por curiosidade. Observava por hábito.Quando o carro entrou, o caminho até a casa principal se revelou lentamente. Um trajeto de pedras claras, perfeitamente alinhadas, margeado por jardins geométricos demais para parecerem naturais.
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