~ LOGAN ~Paris à noite passava em faixas de luz pelo para-brisa, elegante e indiferente, como se a cidade não tivesse absolutamente nada a ver com o caos que a gente vinha produzindo desde o fim da tarde.Eu dirigia com uma mão no volante e usava a outra para trocar a marcha, enquanto lutava contra a vontade de olhar de novo para o banco do carona.Mareu estava ali, com o corpo virado um pouco para a janela, ainda se coçando de vez em quando, o pescoço avermelhado, o cabelo preso de qualquer jeito, a camiseta larga de time francês engolindo metade da postura social que ela tinha vestido para o jantar.Atrás, Olívia cochilava.Cabeça caída para o lado, boca entreaberta de leve, exausta das agitações do dia. Piscina, avós, Remy, escândalo, alergia, chá, negociações paralelas — para uma criança de seis anos e meio, tinha sido um expediente completo.Eu baixei um pouco a intensidade do ar.Mareu continuava se coçando, mas o que me chamava atenção não era só isso.Ela parecia distante.Pr
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