~ MAREU ~A família Remy entrou como quem já conhecia a casa, a mesa e o roteiro.Senhor Remy à frente, alto, grisalho, sorrindo com educação empresarial; senhora Remy ao lado, impecável, joias discretas e aquela energia de mulher que faz caridade em gala sem borrar o batom; e, por fim, o filho, bonito de um jeito ensaiado, com o tipo de charme que entra no ambiente um pouco antes do corpo.— Desculpem o atraso — disse o senhor Remy em português, com um sotaque francês que mordia as palavras. — Trânsito em Paris, mesmo para quem mora aqui, continua sendo uma punição.Igor soltou uma risada curta. Cath não soltou nada.O senhor Novak, que até então eu ainda pensava como “senhor Novak” porque ninguém tinha sido gentil o suficiente para me oferecer um primeiro nome em paz, abriu um sorriso contido e foi recebê-los.— Alain — ele cumprimentou, apertando a mão do senhor Remy. — Claire.Então se virou para o mais jovem.— Henri.— Heitor, sempre um prazer.Pronto. Resolvido. Senhor Novak ti
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