~ MAREU ~Eu assisti à cena como quem assiste a uma propaganda de margarina com defeito de fábrica.Antônio Rizzo levantou o celular, afastou um passo para enquadrar melhor e anunciou um “sorria” com a confiança de quem acredita que um comando resolve qualquer dinâmica humana. Paula se posicionou ao lado do Logan com aquela naturalidade de capa de revista: ombro colado, rosto levemente inclinado, sorriso calibrado.Na frente, Olívia e Paloma seguravam seus troféus como se fossem microfones num debate eleitoral.Só que Olívia não sorriu.Ela nem fingiu. O rosto dela estava parado, bonito e duro, com um olhar de desprezo tão concentrado que eu pensei que, se desprezo tivesse massa, dava para usar como âncora.Paloma, por outro lado, fazia pose. Girou o troféu de primeiro lugar, mostrando o brilho para o sol, e soltou, nada inocente:— O meu é mais bonito. Tem até uma plaquinha dourada.Eu vi, bem de perto, a mudança na Olívia. Não no rosto, no queixo. Ela levantou um milímetro. Um milím
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