VICTOR BALTIMOR.Tudo ficou escuro. Foi como se alguém tivesse apagado todas as luzes de uma vez, arrancando de mim qualquer noção de tempo, espaço ou consciência. Primeiro veio a escuridão, densa e sufocante, depois o vazio. Meu corpo pareceu perder o peso, minha mente afundou em um silêncio profundo, e eu simplesmente deixei de sentir.Não havia dor, nem medo, não havia nada. Então, em algum ponto daquele nada, uma claridade começou a surgir.Abri os olhos devagar, como se minhas pálpebras pesassem toneladas, e a primeira coisa que senti foi o calor agradável do sol tocando meu rosto. A luz dourada me envolveu com suavidade, aquecendo minha pele, enquanto uma brisa fresca passou por mim, trazendo o perfume delicado das flores.Pisquei algumas vezes, confuso. Eu estava no jardim da minha casa. Meu jardim, que mandei construir anos atrás, com o intuito de um dia poder aproveitar em família.Eu havia mandado projetar, com cada detalhe que fosse apreciado pela esposa que um dia eu teria
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