Havenna acordou antes do despertador, como vinha acontecendo há dias.Não por ansiedade, mas porque o sono já não se aprofundava o suficiente para mantê-la ali.Ficou deitada, olhando o teto, contando as respirações de Adrian ao lado. Ele dormia pesado, exausto de dias longos no hospital, o corpo finalmente entregue a um descanso legítimo.Observá-lo assim provocava algo desconfortável. Não desejo. Não saudade.Culpa.Culpa por estar ali, naquele presente possível, carregando algo que ele ainda não conhecia.Levantou-se devagar para não acordá-lo e foi até a varanda.O mar estava escuro, mas constante. Sempre ali. Sempre igual. Havenna ficou parada por tempo demais, sentindo o vento frio no rosto, como se precisasse desse limite físico para organizar o que não conseguia nomear.Ela não estava doente, estava cansada. Não fisicamente, mas da sustentação silenciosa de uma verdade antiga.Voltou para dentro quando a luz começou a mudar de tom. Preparou café, bebeu apenas metade. O estômag
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