Era início de setembro, fim do inverno, quando as coisas começaram a desabar devagar. O dia começou com uma luz estranha. Não era o dourado habitual de Puerto Nuvem, nem o cinza que costumava anunciar vento forte. Era um meio-termo indeciso, um céu que parecia hesitar, assim como ela.Havenna chegou cedo à obra, prancheta em mãos, tentando se esconder dentro das tarefas. Tentar ignorar o que havia entre ela e Adrian, era como tentar segurar água com as mãos, impossível, inútil, desesperador.Desde que voltara de Montévia, sentia o ar entre eles mais denso, cheio de coisas que ela não queria tocar.Mas o mundo parecia determinado a empurrá-los um para o outro, centímetro por centímetro. E naquele dia, não haveria espaço para fuga.A manhã avançou sem incidentes, mas com uma tensão quase elétrica, tecida nos olhares que se cruzavam quando não deviam. Adrian dava ordens, revisava relatórios, caminhava com passos longos e evitava olhar diretamente para ela.Evitar, porém, nunca foi sinôni
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