30. O advogado
BrancaAssim que atravessei a porta do escritório, meu corpo inteiro travou.Não foi medo. Foi reconhecimento.O homem que estava em pé, próximo à mesa, virou-se devagar. O movimento foi simples, quase distraído. Mas, no segundo em que nossos olhares se encontraram, o mundo perdeu o eixo.Ele empalideceu.Eu senti o chão fugir sob meus pés.O ar ficou pesado demais para entrar nos pulmões, e meu coração começou a bater de um jeito desordenado, como se tivesse acabado de reconhecer algo que eu havia enterrado viva."Branca…" Cássio começou, a voz estranha, cautelosa. "Esse é o André Bayron, meu advogado. E amigo. Ele está cuidando de tudo pra mim, e…"Ele não terminou.Eu já estava me movendo.Atravessei o escritório sem pensar, sem pedir licença, sem me importar com mais nada. Quando percebi, meus braços estavam ao redor de André, e o impacto daquele corpo conhecido contra o meu fez algo dentro de mim se partir de vez."Eu não acredito…" ele murmurou, a voz rouca, incrédula. "Não acre
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