O dia amanheceu claro, como se tivesse sido cuidadosamente escolhido.Não havia pressa no ar. Não havia tensão. Apenas aquela sensação rara de que tudo estava exatamente onde deveria estar. A mansão acordou diferente — cheia de vozes, passos suaves, risadas contidas e um tipo de expectativa que não vinha do medo, mas da celebração.Lia observava tudo de dentro do quarto preparado para ela.O vestido pendia à frente da janela, branco sem ser excessivo, elegante sem ser distante. Não era um vestido que gritava. Era um vestido que permanecia. Como ela. Como tudo o que havia construído até ali.Quando Marina — agora amiga de verdade, não apenas presença — entrou no quarto, Lia respirou fundo.— Você está calma demais — comentou, sorrindo.— Estou inteira — Lia respondeu. — É diferente.Ela se olhou no espelho e não procurou defeitos. Não buscou confirmação. Viu ali uma mulher que tinha sobrevivido, amado, fugido, voltado… e escolhido ficar.— Você parece uma rainha — Marina disse.— Não —
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