António se aproximou perigosamente, seu hálito quente colidindo contra a orelha de Adriana numa provocação silenciosa que, em outros tempos, teria feito o corpo dela amolecer de imediato em rendição. Contudo, dessa vez, a única reação que brotou em seu íntimo foi uma repulsa fria, beirando a náusea.Ela ergueu a mão na tentativa de criar distância, mas, no exato instante em que sua palma tocou o peito firme do homem, ele inclinou a cabeça e capturou seus lábios. Foi um beijo abrupto, impossível de prever, e Adriana, sem tempo hábil para se esquivar, acabou recebendo todo o impacto daquela investida possessiva.Houve uma época em que Adriana adorava beijá-lo, nutrindo quase uma obsessão por aquele contato. Sendo António um homem de autodisciplina rigorosa, que não fumava nem bebia, seus beijos costumavam evocar o frescor de uma névoa matinal de hortelã, algo viciante e etéreo. Porém, agora, antes que ele pudesse aprofundar a carícia e reivindicar mais, ela virou o rosto, interrompendo o
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