A palavra ficou no ar o dia inteiro.Mãe.Ela tinha dito com tanta certeza que parecia uma assinatura.Como se Aurora tivesse escrito em mim um lugar que eu não sabia que existia.Eu tentei agir normalmente.Fiz o café com as mãos ainda tremendo.Arrumei a mesa como se eu não estivesse carregando um mundo inteiro no peito.Sorri para Aurora como se eu não quisesse chorar de novo.Henrico também tentou.Mas ele estava diferente.Não mais duro.Não mais defensivo.Parecia… calmo.O tipo de calma que não vem do controle.Vem da aceitação.Aurora estava alegre demais para quem tinha vivido tanto nos últimos meses. Ela tagarelava enquanto comia, falando do desenho que queria terminar, do bolo que queria que a cozinheira fizesse, do jeito que ela queria arrumar as flores no jardim.E em vários momentos, sem perceber, ela soltava:— Mãe, olha isso. — Mãe, você viu? — Mãe, vem aqui.Era como se ela estivesse treinando a palavra.Como se repetí-la fosse a forma mais segura de garantir que el
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