O barulho do portão foi o primeiro sinal de que algo estava errado.Não foi o som normal de chegada. Não foi o movimento controlado da segurança. Foi abrupto, agressivo, acompanhado de vozes alteradas e passos apressados pelo jardim.Eu estava na sala com Aurora, ajudando-a a montar um quebra-cabeça, quando senti o ar mudar. Aquela sensação instintiva que antecede o caos.Aurora também sentiu.— Jade… — ela sussurrou, segurando minha mão.— Está tudo bem — menti, puxando-a para perto.As vozes ficaram mais próximas. Reconheci o tom feminino antes mesmo de vê-la. Não porque fosse familiar, mas porque carregava uma fúria fria, ensaiada.A porta da sala foi aberta com força.Ela entrou como se fosse dona de tudo.Alta, elegante, maquiagem impecável. Os olhos varreram o ambiente com pressa, ignorando minha presença até pousarem em Aurora.— Minha filha — disse, abrindo os braços.Aurora se encolheu atrás de mim.— Não — murmurou.Meu corpo reagiu antes da mente.Dei um passo à frente, col
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