Capítulo 40Henrique LancasterE então eu não pensei. Apenas fui.Atravessei o corredor da pousada com passos duros, a mandíbula travada, o coração batendo forte demais no peito. Cada lembrança que tinha voltado minutos antes ainda queimava dentro de mim, mas agora havia algo ainda mais urgente: encerrar de vez aquela farsa que eu vivia.Parei diante da porta do quarto de Débora.Bati uma única vez, forte.Não esperei resposta.Entrei.Ela estava sentada na cama, mexendo no celular como se nada estivesse acontecendo, como se aquele dia não carregasse morte, aniversário, passado e caos. Ao me ver, levantou os olhos lentamente, avaliando cada detalhe meu — o cabelo cortado, o rosto sem barba, o olhar que ela não reconhecia mais.— Que foi? — perguntou, entediada. — Vai começar outro surto logo cedo?Fechei a porta atrás de mim com calma excessiva.— Ou você assina os papéis hoje… — comecei, a voz baixa, controlada — …ou eu entro com o litigioso. Acabou, Débora. Eu quero ser livre.Ela a
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