CATHERINE — QUANDO O ÓDIO ESCOLHE UM ALVOEla me lembra tudo o que eu quero e não posso ter, e é por isso que dói; não é uma dor romântica, nem nobre, nem triste — é a dor da afronta, o incômodo que arranha a pele por dentro, como se a realidade estivesse deliberadamente fora do lugar. Quando penso nela, não vejo apenas uma mulher; vejo um erro ocupando um espaço que, na minha lógica, deveria estar vazio, e essa inversão me perturba mais do que qualquer ofensa direta, porque torna o mundo incoerente e, portanto, intolerável.— EU ODEIO ESSA GORDA!A frase explode antes que eu consiga contê-la, e o som ricocheteia no quarto, volta para mim como um tapa, vibra nas paredes e no ar denso, atravessa o silêncio que se recusa a me aliviar. — Meu peito aperta; a respiração falha, e por um segundo é como se o oxigênio fosse insuficiente para sustentar o incêndio que se acendeu dentro de mim. Minhas mãos tremem, as palmas suadas grudam
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