Não houve plateia. Não houve palavras solenes. Apenas nós dois, ainda nas ruínas, quando a lua finalmente alcançou o ponto mais alto no céu. O ar estava mais frio, mais seco, e eu conseguia ouvir sons que antes passariam despercebidos — passos distantes, um carro mudando de marcha a duas ruas dali, o farfalhar mínimo de insetos na vegetação próxima. Tristan se afastou alguns passos, o sobretudo já deixado sobre uma pedra. Ele me olhou uma última vez como homem. — Ainda pode desistir — disse, direto. — Não vou. A transformação dele começou de maneira contida, mas nada elegante. O corpo se tensionou, os ossos se rearranjando sob a pele com estalos audíveis. Não foi instantâneo. Foi físico, bruto. Eu assisti sem recuar. A postura mudou primeiro, depois os ombros alargaram, a mandíbula se alongou. O som grave que saiu da garganta dele não era humano. Quando a forma bestial se completou, ele estava ali — maior, mais denso, olhos dourados fixos em mim. Não havia dúvida ou confusão naqu
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