Como se o espaço estivesse a diminuir sem razão aparente. Ela tentou voltar ao trabalho. Abriu um documento. Leu a mesma linha três vezes. Fechou. O pensamento não saía. O atraso. Dois dias. Depois três e aquele tipo de detalhe que o corpo feminino conhece melhor do que a mente quer admitir. Darya levantou-se devagar, como se o simples ato de se mexer pudesse quebrar a sequência de pensamentos. Foi até à janela. Lá fora, o jardim estava calmo. Myrcella tinha voltado a brincar com alguma coisa no chão, provavelmente desenhos ou bonecos espalhados. Ficar ali a pensar sozinha não ajudava. Isso ela sabia. Pegou no telemóvel e sem mais hesitação do que conseguia permitir a si própria, procurou o contacto dele. Matteo atendeu depois de dois toques.— Darya?A voz dele não tinha surpresa. Tinha atenção imediata. Como se tivesse percebido que não era uma chamada normal.— Preciso de falar contigo — disse ela.Silêncio do outro lado.— Agora?— Sim. Urgente.— Aconteceu alguma coisa com a M
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